segunda-feira

Peixes metafóricos, gentes e uma croniquinha












Organização é um artifício como as redes que se lançam ao mar, com armadilhas para pegar o que cair dentro delas. Sem organização não se pega peixe nenhum.


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Dentro de cada um dorme uma multidão de possibilidades – ideias, impulsos, desejos e sonhos. Enquanto se faz isso ou aquilo, movimenta-se só uma parte do acervo. Deixado ao acaso, o que não se aproveitou e ficou sem uso pode virar desilusão, tristeza ou má consciência.

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No dia das bodas de prata, ela escreveu à mãe: “Em 25 anos, ganhei três filhos e 10 quilos. Minha felicidade seria completa sem esses 10.”


De livros e blogs



Foto Alexandre Dulanoy.


Um blogueiro de São Paulo escreveu, em 2007, um texto sobre publicar em livro e pela internet, que trazia o seguinte trecho:
“... no caso específico da publicação de livros, ou melhor, de livros com pretensões literárias, o retorno é quase sempre semelhante ao de um blog com pretensões literárias: nenhum. Um em, sei lá, milhões, consegue publicar um livro literário que lhe renda o sustento ... Mesmo os nossos melhores escritores tiveram de trabalhar ... Estou falando dos melhores escritores brasileiros: Machado de Assis, Euclides da Cunha, João Cabral de Melo Neto, Lima Barreto ... E por isto fico com o blog, que ao menos é mais barato.”

Óbvio? Sei não.

Primeiro, porque me parece um falso dilema. Se não existissem os blogs, as dificuldades para os autores novos seriam as mesmas – ou até piores, como o próprio autor reconhece. Segundo, porque não há como tomar partido de uma ou outra forma de escrita. O livro de papel é insubstituível, embora se reconheçam as comodidades da rede para quem quer publicar e ser lido em prazo menos longo. Não há por que ver uma competição estrita entre os dois.

Os processos que orientam cada um desses meios de publicação são irreversíveis. O livro impresso vem de longe, tem história e já firmou seu espaço em todo tipo de assento deste mundo. Os melhores blogueiros certamente tem estrada na leitura de livros, ou não seriam os melhores. Quem tem condições de produzir um bom texto literário, no monitor ou no papel, começou pela leitura de livros. As universidades do mundo todo ano despejam milhares de entendidos em literatura, autores, mestres ou críticos em potencial, gente que consome livros e vai alimentar a literatura impressa, ainda que mantenha blogs ou sites sobre seu trabalho. Mestres e alunos necessitam dos livros, ao mesmo tempo em que reconhecem a conveniência de usar a internet.

Acho que as duas vertentes não precisam entrar em choque. Isso não interessa ao mercado editorial nem ao de informática, assim como não interessa aos leitores nem aos autores. Uma e outra se tornarão tanto mais complementares quanto maior for a inclusão digital, pelo crescente acesso à informação e pelo poder de marketing dos terminais. E se o livro é mais caro, há estratégias para baixar seu preço, e a inclusão digital é parte dessas estratégias. Outros recursos, como sebos, feiras de livros e bibliotecas, públicas e particulares, continuam ativos e se expandindo. E o prazer de ler, para quem o descobre, é motivo bastante para não abrir mão do livro, real ou virtual.

E vamos ler!






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16 comentários:

Jens disse...

Oi Adelaide.
Como sou um cara antigo (um dos últimos durões) continuo adepto fervoroso do livro impresso - é uma coisa de cheiro e textura, uma coisa de pele, hehehe...
Porém, também sou um entusiasta da net, em especial da blogosfera. Para escribas limitados como eu é um consolo para o livro que nunca virá. Jovem, sonhava em ser um escritor. Não, para ser mais exato, O Escritor, autor do romance da minha geração. Não deu. Virei um cronista de aldeia. Sem a net, possivelmente jamais seria lido. Assim, viva a blogofesta! E, claro, livros a mancheia! Há lugar para todos.
(PS: já em relação aos jornais impressos não sou tão otimista. A médio prazo creio que irão acabar, visto que as novíssimas gerações não são estimuladas a cultivar o hábito da sua leitura, sem falar na qualidade descrescente. No jornalismo diário, o futuro está na rede).
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Um beijo e uma boa semana.

adelaide amorim disse...

Modéstia, Jens - você é um escritor e pode muito bem pensar em publicar livros. Beijo!

Cris disse...

Adoro ler.Livros, net,jornais, bula de remédio, regras de concordância. Caiu na rêde é peixe.Agora, escrever,há de se ter habilidade, competência. Eu escrevo para conversar com a Cris , achá-la no nevoeiro da vida.

Beijão, minha linda.

adelaide amorim disse...

E você ainda acha que lhe falta competência! tsk, tsk, tsk
Beijo, bela!

Anônimo disse...

Oi, Deda! Agor aque te reencontrei, não saio mais daqui ;))Mile bacci! Ivan

Marco disse...

Concordo em gênero, número e grau contigo.
Nada substitui o prazer da leitura com um livro na mão. Daqui a trocentos anos, ainda haverá livros a disposição para quem quiser entrar nesta aventura. Eu já banquei um livro meu e não me arrependo, muito pelo contrário. Hoje sei que sou lido até por quem não conheço.
É maravilhosa a sensação de ter nas mãos um livro que você escreveu.
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

adelaide amorim disse...

Oi, Ivan! Que bom ver você por aqui. Beijo!

adelaide amorim disse...

Marco, você é dos meus :D
Beijo beijo.

Luma disse...

Eu tenho o princípio que quando colocamos monetização em primeiro lugar, estamos fadados ao fracasso. Por isso, dou valor ao artista que se doa. Porém o artista/escritor também come, bebe, enfim, consome e precisa de dindim.
Se você baixar um livro pela internet e imprimir para ler onde quiser, verá que o custo com papel e impressão, ficará não muito longe do preço cobrado nas livrarias. Portanto, acho burrice essa atitude que nada contribui para incentivar a produção literária.
Escritores de blogues que não conseguem publicação, dão sempre a explicação que o blogueiro de São Paulo deu. Beijus

adelaide amorim disse...

Visto por esse lado, acho que você tem razão, Luma. Beijo pra você.

Vanessa disse...

Que concurso mais legal!
Mas pra mim nãop serviria.. não publicaria as coisas que eu escrevo no blog... não tenho pretensão nenhuma de publicar nada... pra falar a verdade.. leio tanto coisa linda.. perfeita.. bonita.. que acho meus textos bons suficientes para uma publicação.. prefiro ficar no meu blog.. e semi anônima..rss


bjsssssss

adelaide amorim disse...

A modéstia reina por aqui, Vanessa.
Beijo beijo.

Anônimo disse...

Entre o monitor e o livro impresso, fico com o último, sem sombra de dúvida. Até porque ao livro impresso você pode voltar, ler e reler, sem medo que tenha sido engolido por um site comercial nem apagado por um provedor inescrupuloso. Belo post, Deda. Um beijo meu e outro de Célia.

Lu Cavichioli disse...

Ok Adelaide, anotado! Estou formatando a página dos poemas. Semana que vem passa no Escritos porque vou colocar a página no ar.

Bjs e muito obrigada pela participação. Seu poema ´é um dos mais significativo.

Lu

adelaide amorim disse...

Legal reencontrar vocês, Enylton. Beijos duplos.

adelaide amorim disse...

Legal, Lu! Obrigada, viu?
Beijos.