quarta-feira

Recado anônimo


 Foto Kris Kros

Era quase um lamento, mas não pedia nada. Na terceira pessoa, ele falava de não ter com quem trocar as opiniões mais importantes e não receber nunca o olhar ou o simples gesto de uma partilha; da falta que faz um abraço desses estreitos, que relaxam mais que qualquer sessão de ioga ou medicamento de última geração. Falava acima de tudo da necessidade que todos temos de achar quem ouça com atenção nossas preocupações, dúvidas e angústias; de um semelhante que nos acolha quando de repente o fato de viver sozinho pesa demais e a tristeza começa a fazer ruir as estruturas que nos mantêm em atividade.

Hoje, relendo as doze linhas desse comentário, vejo um pequeno poema em prosa. Um poema bem construído, sem açúcar nem afeto, mas sem amargura. Uma pequena imagem que fala por si, e lembra muito a ultrassonografia de um feto, com o coração pulsando como uma pequena estrela no meio do corpo, que ainda não é quase nada, mas sem saber testemunha sua sede de carinho.


8 comentários:

Maria Teresa disse...

Senti ausência de amargura também, mas carência dessa coisa que não sabemos direito o que é e que existe por dentro desde os primeiros instantes de vida convidando-nos a buscar, buscar, buscar...
Beijo

Escritora de Artes disse...

Um comentário e tanto!


Obrigada pela visita, por aqui fico!

Saudaçoes

mfc disse...

Somos fundamentalmente emoção e sentimento... e nunca devemos desconhecer essas características nos outros!!

Beijos,

dade amorim disse...

Muito bem observado, Maria Teresa.

Beijos.

dade amorim disse...

Obrigadinha, Escritora de Arte. SUcesso e um abraço.

dade amorim disse...

Mais uma vez, você está certíssimo.

Beijo beijo.

Luana disse...

Que texto sensível e lindo, Dade!

Beijos.

dade amorim disse...

Foi bem inspirado, amiga Luana.

Beijo beijo.