sexta-feira

Para que serve a poesia?







Tenho ouvido bons poetas declararem sua descrença na poesia. Um comentou que poesia é inútil, outro que não conseguia mais levar essa coisa de poema a sério.
Poesia pode ser inútil porque não tem qualquer efeito pragmático. Não dá dinheiro, não é muito lida, não vende muitos livros, a não ser em casos como o do Ferreira Gullar. Não muda a cabeça das pessoas, a não ser talvez no exato momento da leitura, se o leitor estiver vulnerável ou mais benévolo que de costume.
Não condiz muito com o mundo em que vivemos. Não tem nada a ver com política, finanças ou o governo, e há quem abomine poesia por estar voltado para assuntos considerados de alta importância ou dignidade.
Mas neste último caso confesso que duvido muito da lisura ou da sensibilidade dessas pessoas em relação aos outros.
Não ligo para essas opiniões, que até me afetam um pouco às vezes, dependendo do momento que se vive. Mas o poema, que é o que importa, sempre brota de algum lugar para acenar com suas palavras e silêncios. Poema é pra isso, mostrar o momento que se está vivendo e virar pelo avesso esse momento, tentar esgotar o modo como e até que ponto esse momento nos afeta.

5 comentários:

sandra camurça disse...

É por aí, Dade, é por aí. Mas às vezes as razões do poeta são ainda mais simples: às vezes ele(a) só quer brincar. Poesia pode ser brincadeira de adulto :)
Um cheiro

dade amorim disse...

Também é uma opção para a poesia, Sandra. E muito válida. Brincar é um dos melhores modos de viver.
Beijo grande.

Lua Nova disse...

Acho que o texto é perfeito e concordo com vc. O comentário da Sandra também é muito pertinente. Mas não sei se fará diferença para quem escreve, uma "definição" consensual do que é e para que serve a poesia. Gullar disse que "a arte existe pq a vida não basta." Pois eu diria a mesma coisa a respeito da poesia, da prosa poética, da palavra escrita. Às vezes, é só nela que eu caibo, eu e minhas ansiedades, é através dela que amplio meu universo e encontro o ar de que preciso para viver. Não sou escritora, não sou poetiza, não me levo a sério nesse quesito e não tenho qualquer pretensão literária. Quero apenas respirar melhor e escrever me salva da claustrofobia emocional.
Beijokas, minha querida Dade, e uma semana feliz pra vc.

dade amorim disse...

Lua, sua opinião sempre tem um peso bem considerável e desejável. Mas acredito que você é uma escritora, sim, mesmo sem essa pretensão.
Beijo.

jucinaldo disse...

A poesia não está em função do momento que estamos vivendo. Ela segue uma rota de infinito que pode entrar em colisão com alguma existência de nós.