quarta-feira

Os professores continuam em branco




Qualquer ramo de saber demora anos e décadas para conseguir avançar em suas conquistas. Um pesquisador e um estudioso têm que ser antes de tudo pessoas pacientes, de uma persistência acima da média. Há dados intermediários, dos quais dependem outros e outros. Há dados enganosos, que fazem perder tempo ou invalidam conquistas anteriores. Por isso é preciso estar sempre em dia com as novidades. Em especial, se nosso trabalho é passar adiante um programa, incluindo essas novidades.
 Dedicação por si só, no entanto, não inclui outros aspectos dessa maratona da inteligência. É preciso antes de tudo que haja prazer no que se faz. Em qualquer área da atividade humana, a busca da perfeição envolve motivos como satisfação e bem-estar que justifiquem as horas de trabalho, muitas vezes bem mais extensas do que as que constam na CLT. 
 Pena que, no caso de nossos professores, não haja recompensa à altura. Parece até que há mais prejuízo do que recompensa. Não será essa uma das causas básicas de o ensino no Brasil estar tão desacreditado pelo mundo?

12 comentários:

Chorik disse...

E aqui temos aquela velha teoria, a de que às elites não interessa educar a massa. Embora os professores do ensino particular também caibam na sua crítica, o modelo brasileiro de educação pública faliu há décadas e com a ascenção da tal nova classe média, corre-se o risco de se perpetuar. Eu estudei em escolas públicas, fui da última turma de dois colégios estaduais de ponta em São Paulo, formadores de gente pensante. Havia até vestibulinho, tamanha a procura. Tenho 3 filhos, pago caro por um ensino marromenos. E quem não pode, como fica? Haja autodidatismo.

Vítor disse...

Eu gostaria de viver o suficiente para ver a educação no Brasil se tornar eficiente, valorizada e os professores afinal recebendo remunerações e prestígio à altura de sua função. Mas não sei se isso ainda vai acontecer algum dia. E se acontecer, é bem provável que seja necessário mais meio milênio. Como diria o Boris Kasoy, é uma ver-go-nha.
Um grande abraço, amiga.

Maria Teresa disse...

Sem dúvida. O respeito deveria ser reaprendido não só pelos dirigentes da Educação mas também pelos alunos, orientados suficientemente quanto a isso. Professor tem estrela no lugar do coração e essa estrela brilha e brilha. Atualmente estão fazendo de tudo para nublar essa luz e, no futuro, muito se lamentará essa perda. Ainda há esperança, pouca, mas há.
Beijos e ótima Páscoa

Jens disse...

Oi Adelaide.
Maravilha de texto - um justo e merecido resgate da importância das professoras no desenvolvimento de uma nação. Uso o feminino porque para mim ensinar é tarefa de mulher. Acho que um homem jamais teria paciência para introduzir um garoto tonto, como eu fui, na trilha do conhecimento. Só uma mulher possui talento e paciência para dar conta de uma tarefa assim grandiosa e fundamental. Muito do que sou devo as mulheres, em especial às "fêssoras". Legal ler um texto que aborda com sensibilidade as agruras desta profissão tão pouco valorizada em nosso país. Depois de tomar conhecimento das babaquices do Gustavo Ioschpe, o "especialista" em educação da Veja, tuas palavras são um refrigério para a alma. Valeu, minha camarada.
***
Sobre o texto abaixo, um pedido: me ensina a escrever assim.

Beijo e uma Feliz Páscoa. Chocolate e felicidade para você.

Nanda disse...

Dade; infelizmente a prática: um finge que ensina e outro, que aprende; está cada vez mais comum. Tomara que eu esteja errada. Beijos e uma linda Páscoa.

Eulalia disse...

Tem razão. Eu, como professora, assino o texto com você.

dade amorim disse...

Chorik, o que me preocupa mais é essa derreocada do interesse em educação, por conta da tal ascensão da classe média, que de média só tem talvez um salário aumentado.
È duro pensar nisso.

Beijo pra você.

dade amorim disse...

Eu também gostaria, Vitor. Mas pelo que podemos observar, tá difícil. Será que estamos condenados a ser sempre um dos países menos educados e instruídos na lista?
Beijo pra você.

dade amorim disse...

Que Deus te ouça, Maria Teresa. Também torço pra que nossa esperança não vá pro brejo.

Beijo.

dade amorim disse...

Jens amigo, você é muito modesto. Você aprendeu direitinho, viu?

Beijo.

dade amorim disse...

Eulália, obrigadíssima pelo apoio. Estamos contando com os mestres para melhorar essa condição vergonhosa de nosso ensino.
Beijos e seja muito bem-vinda.

Kelly disse...

É muito triste e vergonhoso ver como se desvaloriza o papel do professor em todos os aspectos. Conheço uma jovem de 30 anos muito estudiosa, com mestrado e doutorado em História, estuda e trabalha muito. Dá aula tanto na rede pública quanto no PH (elitizado). E eu presenciei sua avó lhe dizendo: "Como eu queria que você namorasse um médico".
...
bjs