quinta-feira

Nem Drummond nem Quintana


Imagem sem menção de autor.


Fiquei tão gauche na vida
que pela esquerda posição em que me encontro
nem da esquerda faço parte.

O anjo torto voltou o rosto
resplendente
e disse apenas:
“Assim não é possível.”
Desviou os olhos,
retirou o amparo
e nem conselhos deu.
O anjo torto se foi
e depressa me esqueceu.

Acredito que tudo isso
seja só falta de um estilo próprio.
Afinal,
ninguém pode amar alguém
que não seja um outdoor de si mesmo
não saiba cantar
e nem ao menos saiba usar o photoshop.
Ninguém em sã consciência
entende tanta falta de cadência
tanta resignação ante o real
e tal falta de raça.

Qual é a graça de não ter respostas
e de viver entre livros e teclados
e nem ao menos se inscrever num chat
– maneira diuturna
de procurar sua turma?
Além de tudo os anjos
voltaram à moda
e agora vivem diante dos espelhos
comprados secretamente na Avon
descobrindo o prazer da própria imagem
insipientes narcisistas
intolerantes para com mortais
que lhes pareçam angélicos demais.


Publicado no Inscrições, 29 de junho de 2007.

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Na Folha de São Paulo de hoje, O Senado e a ética

domingo

Leituras e leituras

Não é esnobismo ou conservadorismo afirmar que é diferente ler pela internet e ler um texto impresso. A rede é a invenção maior do século passado, e cada vez mais põe a nosso alcance conhecimentos variados e importantes para quem vive hoje neste planeta, digamos, meio combalido e ameaçado. A rede é um must, e com certeza qualquer pessoa que possa ter acesso a ela tem uma vantagem de saída.

Mas a leitura impressa não foi suplantada por ela. Por quê? Acredito que o próprio processo de percepção se dá de modos diversos nos dois casos: muito rápido e cercado de outros estímulos pelo monitor, que supõe tempos abreviados para cada atividade e até torna difícil a leitura de um texto mais longo. Um texto impresso supõe algum silêncio e um ambiente propício a uma atenção mais intensa, o que ajuda a compreender e assimilar melhor o que se lê, além de desenvolver o senso crítico do leitor, coisa que anda escassa em nosso mundo.






Ler é imprescindível para quem deseja ser capaz de pensar e viver a própria vida. Além disso, é indispensável para que se aproveite mais e melhor o saber e a informação que vêm através da internet. É uma espécie de conhecimento prévio, uma base de saber e uma iniciação para perceber melhor o mundo e o que acontece nele.










Vídeo da campanha de incentivo à leitura idealizada e produzida por Deborah Toniolo, Marina Xavier, Julia Brasileiro, Igor Melo, Jader Félix, João Paulo Moura, Luciano Midlej, Marcos Diniz, Paulo Diniz e outros.



Visite também o site www.lerdeviaserproibido.com.br
Espalhe essa idéia!

Sobre a leitura



A importância de ler

Diz Michel Petit, em Leitura: do espaço íntimo ao espaço público: "a leitura não apaga a humilhação, mas rompe o silêncio".

Nós, leitores, não fugimos - divagamos, nos encerramos necessariamente em um reduto próprio. Não para escapar, mas para nos transformarmos.
Para escrever nosso próprio texto; e em algum momento sair e libertar essas palavras e essas imagens. E aí nos tornamos visíveis.

terça-feira

É bom saber

Embora essas informações estejam por toda parte e cheguem por e-mail quase todos os dias, às vezes estão incompletas ou fragmentadas, passadas em entrevistas de tempo limitado como tudo que vem pela tevê.

São cuidados simples, ao alcance de todo mundo, que vale a pena pôr em prática.

• Tome pelo menos um litro e meio de água por dia (mínimo de seis copos), pois os vírus vivem melhor em ambientes secos e as vias aéreas úmidas os desestimulam. Não a tome gelada, sempre preferindo água natural ou mineral de boa qualidade.
• Não tome leite se estiver resfriado ou com sinusite, especialmente antes de dormir, pois produz muito muco e dificulta a cura.
• Use e abuse da coalhada, um excelente alimento que fortalece o sistema imunológico.
• Coloque bastante cebola em sua alimentação.
• Use e abuse do alho, que também favorece seu sistema imunológico.
• Use alimentos ricos em caroteno (cenoura, damasco seco, beterraba, batata doce cozida, espinafre cru, couve) e alimentos ricos em zinco (fígado de boi e semente de abóbora).
• Faça uma dieta com muitos vegetais e frutas.
• Coma salmão, bacalhau e sardinha, excelentes para o sistema imunológico.
• O cogumelo Shiitake também é um excelente anti-viral, assim como o chá de gengibre que destroi o vírus da gripe.
• Coma menos alimentos ricos em gordura, tais como carnes vermelhas e derivados, que deprimem o sistema imunológico.
• Evite o excesso de óleo de milho, girassol ou soja, que são óleos vegetais poli-insaturados; prefira o azeite de oliva.

Importante:

- areje sua casa e sempre que possível deixe o sol entrar;
- ache tempo para o lazer, é preciso ser feliz;
- faça exercícios sempre que puder;
- mantenha suas mãos sempre bem limpas;
- use fio dental para limpar os dentes, antes da escovação;
- ame-se!

Com esses cuidados e essa alimentação, é provável que os vírus, e mesmo as outras doenças, nem cheguem perto de você.

Imagem Gustavo Peres, para Prana Yoga Journal.


Também é bom saber


Sob o título "Operação Pandemia (2009) - Gripe Suína", no blog
Documentários, um vídeo, que pode ser esclarecedor, relaciona os interesses da indústria farmacêutica ao surto de gripe das aves e à pandemia da suína que ora nos aflige. Vale dar uma olhada. Tanto mais que um dos medicamentos eleitos para combater a suína, o Tamiflu, indicado "contra qualquer tipo de gripe", é considerado uma fonte temível de efeitos colaterais.

É um site bem informativo, que fornece ainda endereços de uma mídia mais crítica, de uma visão de mundo menos comprometida com os interesses do mercado e do poder.

Quando se trata de assuntos tão importantes, quanto mais se conhecem opiniões contraditórias e conflitantes, mais elementos para formar as próprias ideias.

Sobre o tema, vale a pena ver também o último post do blog Abunda canalha.

sábado

Resumo da ópera


Foto Liz Kasper.


O mundo é como um cinema que passa bem devagarinho: sempre sobra mundo pra conhecer.
Só é ruim porque não há como saber exatamente que papel a gente fez no filme.

***

Assimilou bem demais a boa educação que lhe deram. Agora é uma leoa que não consegue sair da jaula. Nem com a porta aberta.

***

Aos cinco achava o pai um herói, aos dez um grande homem; aos quinze um coroa boa-praça, aos vinte um reaça. Aos trinta entendeu melhor e dez anos mais tarde virou o melhor amigo.
Dias depois que o velho morreu, levou um bruto susto ao ver o rosto dele quando se olhou no espelho da sala.

***

Tinha bebido tanto que não soube explicar como acordou em cima do ombro do Cristo Redentor de pareô e colar de havaiana, mas lembrava perfeitamente o nome do dragão que o transportou.

***

Deixou uma água no fogo e foi ler. Da casa só restou um pedaço de janela.

***

Sonâmbulo, saltou do vigésimo andar. Felizmente não acordou antes de chegar ao chão.

terça-feira

A história de amor de dois pintores*

Por que não voltamos daqui – ela propôs – já é tão tarde e o dia está nascendo nos jardins de Monet.
Então é cedo – ele falou – as árvores de leve concordaram e tudo começou numa tela de Turner.
Arrumaram a casa com Peticov e Klee. Cézanne trouxe as frutas, Van Gogh as noites e Klimt erotizou a terra, que logo se dividiu em planos escherianos e pássaros voando em degradês sobre os casais de Schiele.
Picasso entrou em cena no início da guerra. Dali descobria coisas imprevisíveis, mas Munch já habitava suas entranhas. A casa de Jacek fazia água e os personagens de Magritte entraram em cena, meias-luas pairando sobre o chapéu. Passaram a ignorar perspectivas e Chagall subiu no telhado.
Desse ponto voltaram a Hopper e a solidão campeava solta. O mundo se dissolveu, Miró eclodiu e respingou Pollock. Já não eram dois, mas muitos fragmentos, até que tudo ficou mais complicado por Bardinet e Yvette Jullien. Mabe pôs um fundo final na história deles, que nunca mais se viram.


Tela de Wolfgang Paalen (Áustria). Study of totem landscape.

*Do Contando por Alto.

sábado

Psicanálise de graça



Então é isso: você corre atrás, sempre há um rosto ou uma imagem, uma fantasia a perseguir por causa do Outro – na falta do qual a gente se contenta com o(s) outros(s) ou alguma coisa ("as coisas vos bisando", como diz Jorge de Lima). O Outro é aquela cócega na alma, o que ficou faltando quando não falta nada. Isso não acaba. A gente é que muda de assunto.



Da série gráficos da vida virtual