sexta-feira

Lévi-Strauss, ficamos te devendo


Difícil para novatos no assunto, riquíssima em conteúdo e absolutamente inovadora, assim é a obra de Claude Lévi-Strauss, o pesquisador que o mundo perdeu nesta semana. Vale a pena conhecer melhor sua história e seu trabalho.


Pode-se dizer que "aquela sensação de busca que temos em todos os seus textos", como diz Ondina Fachel Leal, caracteriza o estilo do antropólogo mais bisbilhoteiro do século XX.


Visita a Mariana

Sempre uma delícia, essa gracinha de cidade de céu imbatível e ambiente de sossego que é um oásis pra quem vive correndo de bala perdida. Também pesa, e muito, o fato de rever pessoas e pessoinhas que moram no coração da gente.
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O Himalaia em Búzios
“Pedro Álvarez Cabral e os Tupinambás nunca souberam que há 520 milhões de anos Búzios era uma cadeia de montanhas da altura do Himalaia.”

Esse e outros dados aqui.
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Superinteressante

Conversando é que a gente se entende - Dicionário de expressões coloquiais brasileiras é o nome do livro sobre expressões, bordões, ditados e gírias de nossa língua, com a respectiva pesquisa sobre as origens e distorções, às vezes hilárias, que lhes deram outro sentido. O autor é o professor de português Nélson Cunha Mello. Vale a pena.

terça-feira

Um comentário sem pretensões





O que a vida e o mundo mudaram dos anos 1980 para cá é uma grandeza. Nossos pais e avós não imaginariam tanta mudança em tão pouco tempo.

Verdade que já se anunciavam novidades naqueles anos em que ainda havia algum espaço para o conservadorismo. Em abril de 1980 morria Jean-Paul Sartre, um dos responsáveis pela revolução dos costumes, que já começara desde o meio do século XIX, principalmente depois de Freud, mas andava bem devagar, comparada ao ritmo acelerado que viria depois dos sixties do século seguinte. Sartre e seus seguidores ajudaram a implantar de vez, nas sociedades ocidentais, a visão mais libertária – e, comparada à do século anterior, mais libertina – da moral vigente.





Em dezembro morria John Lennon – integrante dos Beatles, esses roqueiros inesquecíveis – que deixou também sua marca na mudança da mentalidade política, como ativista pela paz. Também em dezembro de 1980 morreu o nosso Nélson Rodrigues, revolucionário das letras, que aqui no Brasil escancarava a realidade do comportamento humano contra toda hipocrisia, em seu teatro e nas crônicas, contos e romances.


Só esses quatro nomes já seriam suficientes para ajudar a entender as mudanças sociais e filosóficas que dariam o empurrão final no rumo do que somos hoje. Mas houve muito mais depois deles. E nem vamos falar dos avanços da tecnologia, que ficam pra outra despretensão.

PS - Não se impressionem com o excesso de freuds por aqui. Foi só coincidência.






Recadim

Acho que devo um pedido de desculpas pela ausência – não a desses dias, em que, além da viagem, o furacão teve outros, com licença da palavra, epicentros – problemas de saúde em família, atividades de trabalho etc. As desculpas são pela falta de visitas e comentários aos amigos mais queridos. Não consegui tempo e acesso fácil. Vamos tentar agora reatar nossas trocas, quase sempre muito gostosas. Até já, meninos e meninas.


Imagem Claudia Porto.

Pronto.
Depois do mergulho, e sem muitas novidades além do visual e das cores, estamos aí.
Obrigada pela espera e pelo carinho
 
 

Umbigo não fala mas faz silêncio

Queridos, o Umbigo vai dar um tempo.
Quem imagina que blog não medita, não sabe nada de blogs.
Na verdade, há muito a refletir, e não é só por causa da situação geral do país ou do mundo. Aproveito uma viagem para repensar o jeitão azul, o peixão que nos acompanha há seis anos e uma série de mesmices que começa a dar nos nervos. O que (ainda) está vivo, tem que mudar.
Suspensos no mesmo fio, os blogs da casa tiram uma soneca.
Beijos a todos e até a volta.

sábado

Rio, capital das Américas



Arriscamos, torcemos e levamos.

Há quem tenha torcido contra (foram muitos). Mas a turma daqui é muito mais de festa do que de crítica, e a maioria ganhou de lavada. Nem sei se chegou mesmo a haver uma torcida contra, propriamente, mas com certeza havia certo receio de que o Rio vencesse os outros candidatos. As dúvidas se explicam, nessas ruas esburacadas, nessas viagens de ônibus mal conduzidos por motoristas de mal com a vida (deles), nessas linhas insuficientes de metrô. Se explicam pela corrupção vigente nos diferentes níveis de poder – a mesma que impediu Chicago de sediar os jogos de 2016. Sem falar em nossos famosos pivetes.

As dúvidas provieram, talvez acima de tudo, do medo de que nossos bandidos vencessem mais essa parada e conseguissem espantar os gringos e indignar o mundo. Mas o mundo não é a vendinha do seu José, que obedece às ordens dos traficantes e fecha o estabelecimento a qualquer dia e hora. (Embora, não convém esquecer, esses mesmos cascas-grossas tenham posto pra correr o Carrefour – uma empresa multinacional – que fazia a alegria da classe média da Usina da Tijuca e dava emprego ao numeroso pessoal do bem que habita as favelas, mas não obedecia a ordens literais e boçalmente estúpidas.) Eles têm o poder da truculência e de um armamento sofisticado (e o apoio de figurões da classe A), mas não é possível que prefeitura, estado e governo central unidos se deixem abater por essa corja que nos envergonha.

A esmagadora maioria dos condomínios cá de baixo não ousa expor a cara, quando alguém propõe que os moradores se organizem para reivindicar algum sossego e um modo seguro de estancar a favelização crescente dos bairros do Rio. Há mesmo certa pusilanimidade no modo como esses burguesinhos clássicos (nós, no caso) se escondem, assustados como esquilos diante de um cachorro. Embora vergonhosa, essa atitude se explica pelas contrapartidas que atitudes mais corajosas têm desencadeado – mortes brutais e até a tortura, vingança preferida por todos os covardes em todos os tempos.

Apesar de tudo isso e do resto, o Rio é mesmo um lugar de confraternização. O Rio prefere sempre a alegria, haja o que houver, e às vezes a gente se surpreende com a força dessa alegria para salvar situações embaraçosas ou nos tirar do sufoco. Além disso, existem as polícias, cujo contingente deve crescer aos milhares de homens, e o exército – uh, là là – que vai pra rua, como aconteceu na Eco92, lembram?

Então, e como tudo está bem quando acaba bem, vamos vibrar com e pelo o Rio, a vitória do Rio, agora de novo capital, não só do Brasil como das Américas, até o fim das Olimpíadas de 2016. E se tudo der certo, quem sabe, para sempre.





Rio 2016: ministro dos Esportes canta na festa da vitória

segunda-feira

Vincent

Starry night com Don McLean



No Inscrições, um poema para Vincent.

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Blogagem coletiva
Como você escolhe seus amigos?

Não sei se a Milene se importa muito com uma blogagem atrasadinha.
Liga não, Milene, é que achei o tema bem interessante e resolvi arriscar.
Se você gostar, já fico bem contente, combinado?


Nem sei se amigo se escolhe ou se encontra.

Acho que tenho encontrado meus amigos pela vida. Porque amizade é um pouco como o amor - é à primeira vista ou então é uma descoberta súbita, quando você já conhece alguém mas ainda não tinha prestado muita atenção. Amizade, assim como amor, se acende de repente.

Não me lembro de algum dia ter premeditado ser amiga de alguém, e pensado deve ser bom ser amiga dele/a, vou levar pra minha coleção. Então, em meu caso particular pelo menos, meus amigos têm sido bons encontros.

Pela web acontece a mesma coisa. Aqui não se vê o rosto, vê-se o texto ou a imagem que ela posta. E como certos textos são irresistíveis e certas imagens têm um encanto diferente, vou procurar seu/sua autor/a. E quase sempre é assim - Fulana faz poemas que me deixam em estado de graça, Fulano escreve de um modo irresistível ou ela fotografa com uma competência que me dá inveja.

Nem sei se posso chamar isso de critério. É casual, é bom demais.

quarta-feira

Notículas



Começou hoje. Com chuva e nuvens, um friozinho de serra aqui neste bairro desta cidade decadente. As flores existem, apesar de tudo, mas não sei por quanto tempo ainda vão ter condições de aparecer nos anos do futuro. Mesmo quando recomeçar a primavera.


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História incompleta está completa agora.
Continuará para sempre incompleta, ainda assim.
Me deu muito prazer vê-la ir se desenrolando, acho que o método de trabalho deu certo, criou certa disciplina e mostrou resultados antes do habitual.
Valeu, blogger.
Acho que vou repetir a dose em outra história que anda varrumando minha cabeça.
Não sei vocês, mas eu gostei da experiência.
Espero que possa ter sido bom pra vocês também.

domingo

Ser ou não ser, eis o mosaico

Texto participante da blogagem coletiva proposta pela Elaine Gaspareto.




Quem pode dizer que está inocente do que acontece a sua volta? Não me atrevo. Nem mesmo posso ter certeza do grau de participação que me cabe em cada acontecimento. Mas que cada um joga seu dadinho nessa grande roleta que é a vida, isso joga sim. Nem me venham dizer que fui a única culpada de tudo que aconteceu a mim ou aos mais próximos, mas é mais que provável que, mesmo sem ter consciência disso, eu tenha atrapalhado a vida de alguém ou dado um empurrãozinho em quem já estava com o pé do lado de fora da janela.

É estranho olhar a vida por esse prisma. É como olhar o mundo através desses cristais facetados, em que as imagens se repetem e multiplicam em ângulos diferentes, cores alteradas, e deixam quem olha fascinado com a diversidade de formas, querendo dar conta de todas elas. É como ver de perto as imagens de Vic Muniz, composições de milhares de imagens mínimas que se perdem na visão de conjunto de cada quadro.

Mas, assim como cada um de meus semelhantes, eu sou um mosaico. Minhas escolhas envolvem fatores e condições que não estavam previstas ou não poderiam ser bem avaliadas antes de se tornarem uma contingência ao vivo.

Quantas vezes quis alguma coisa que deu em outra, errada ou não. Quantas outras vezes acertei em cheio sem querer muito, tateando um pouco no escuro, indecisa quanto ao lado a seguir. Amei alguém que poderia ter sido tudo, e encontrei outro que efetivamente foi tudo. Detestei pessoas que hoje seriam indiferentes e não tiveram qualquer peso em minha vida. Amei gente que não merecia, sofri por causas que não eram minhas, falei mal de pessoas que não eram más, prestei homenagem a quem não valia a pena.

Mas como o que se faz da vida não pode ser o que a vida faz da gente, insisto em ser sujeito de minhas decisões e seguir os rumos que prefiro. Tento amar muito, não sei se sou capaz de querer tanto bem quanto imagino. Tento me realizar no trabalho, mas ainda não encontrei os instrumentos certos – e pior, talvez nas cavernas onde ainda não consegui jogar luz, não queira encontrar. É preciso lidar com as próprias resistências e a idealização, ninguém vive sem elas. Então, se eu disser que sou cem por cento alguma coisa, estarei na certa mentindo. E se quiser aparecer com cara de anjo, vou motivar as pessoas a procurar meus cascos de coisa ruim. É da sabedoria popular: ninguém acredita em auto-elogio. O povo sabe das coisas.