segunda-feira

Literatura




Estante. Serigrafia de Sônia Menna Barreto.


Literatura é um pequeno abismo portátil onde a gente se joga de vez em quando e que vicia mais que qualquer droga. Às vezes, dependendo do regime de governo, pode ser até proibida. Serve para viver a fundo as coisas em que uma pessoa sensata não mergulharia, ou porque são repulsivas, ou porque não têm importância nenhuma de ordem prática.É mais fácil dizer o que a literatura não é: não é útil, não dá dindim, não é pragmática, nem lógica nem relaxa ninguém. E ainda por cima às vezes tira o sono. Para o senso comum, literatura é coisa de maluco mesmo.
Mas quem precisa do senso comum? Para quem escreve, ela é fonte de alguma coisa que fica entre a alegria, o consolo, o alívio, a autoafirmação, o bem-estar do espírito, o refrigério do intelecto e a inefabilidade. Com o tempo, quase a satisfação de uma necessidade orgânica. Sem falar no prazer que é ver um livro publicado, lido e comentado. Mesmo que o escritor faça aquela cara de modesto (é mentira, nenhum escritor é modesto), ele estará se sentindo orgulhoso de sua obra, feliz de ver aquele filho de papel e tinta multiplicado, circulando nas mãos de amigos e estranhos. Para ele, cada exemplar é O Livro. Ou, como diria Cortázar, todos os livros, o livro.

11 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Literatura é uma janela através da qual se pode descobrir um mundo!:-)
Sempre bom te ler...
Beijos,

Carol Timm disse...

Amiga,

Li esta sua reflexão a pouco e (talvez este comentário) e nasceu um poema novo... assim, inesperadamente.

Essa nossa troca, mesmo quando à distância, me tem sido tão cara, fértil e prazerosa. Que bom tê-la encontrado nesse cantinho (caminho) de letras e poemas!

Ah, maravilhosas também suas dicas de filme!! Assisti neste Carnaval o "o discurso do rei" e "o cisne negro", ambos maravilhosos e instigantes. Ainda estou refletindo sobre eles, sobretudo o segundo filme.

Feliz Dia Internacional da Mulher (atrasadinho) e um ótimo "recomeço" de semana para nós! A gente se vê na outra quarta, por certo! Beijos. ; )

Carol Timm disse...

Amiga,

Li esta sua reflexão a pouco e (talvez este comentário) e nasceu um poema novo... assim, inesperadamente.

Essa nossa troca, mesmo quando à distância, me tem sido tão cara, fértil e prazerosa. Que bom tê-la encontrado nesse cantinho (caminho) de letras e poemas!

Ah, maravilhosas também suas dicas de filme!! Assisti neste Carnaval o "o discurso do rei" e "o cisne negro", ambos maravilhosos e instigantes. Ainda estou refletindo sobre eles, sobretudo o segundo filme.

Feliz Dia Internacional da Mulher (atrasadinho) e um ótimo "recomeço" de semana para nós! A gente se vê na outra quarta, por certo! Beijos. ; )

dade amorim disse...

Tânia, é isso que eu penso também.
Beijo beijo.

dade amorim disse...

Carol, é uma grande alegria "ouvir" esse comentário. Fique à vontade, a casa é sua também.
Beijo grande.

AC disse...

Dade,
Gosto de entrar aqui, no seu espaço, onde as palavras me dizem sempre algo.
Talvez não concorde com alguns conceitos apresentados no texto, mas isso também faz parte da literatura. :) De qualquer modo, passar por aqui é ponto obrigatório, sinto-me cá bem.

Beijo :)

dade amorim disse...

Fico feliz, amigo AC, tanto por ter seu comentário, como por suas palavras aconchegantes :)
Abraço grande.

Jens disse...

Oi Adelaide.
A primeira frase do texto é uma das melhores definições que já li sobre o ato de escrever - aquele tipo de observação que quando publicada em livro a gente sublinha e depois anota no caderninho de pensamentos. Enfim, trata-se de Literatura da boa.

Beijo.

dade amorim disse...

Nossa, Jens, obrigada mesmo.
Nada como um amigo meio impulsivo pra comentar!
Beijo.

Halem Souza disse...

É mais fácil dizer o que a literatura não é: não é útil, não dá dindim, não é pragmática, nem lógica nem relaxa ninguém.

Concordo em parte. Mas o Umberto Eco escreveu algo mais desconcertante (no artigo A literatura contra o efêmero, eu acho): os livros nos educam para a morte.

Um abraço.

Analuka disse...

Outro dia, um amigo poeta, o Lau, escrevia sobre o fato de alguns desprezarem a poesia, como algo "inútil"... Lembrei de um texto da Susan Buch-Morss, em que ela observa que o fato, em si, de a arte ser "inútil" já é bem significativo e "político", a partir do momento em que a mesma questiona ou desafia a aceleração contemporânea e a "lógica do lucro"... Poesia, literatura, arte... se inúteis, certamente aumentam muito nosso prazer de viver , além de atenuar, de algum modo, nossa angústia existencial... Beijos pintados,