quarta-feira

Recompensas necessárias



Qualquer ramo de saber demora anos e décadas para conseguir avançar em suas conquistas. Um pesquisador e um estudioso têm que ser antes de tudo pessoas pacientes, de uma persistência acima da média. Há dados intermediários, dos quais dependem outros e outros. Há dados enganosos, que fazem perder tempo ou invalidam conquistas anteriores. Por isso é preciso estar sempre em dia com as novidades. Em especial, se nosso trabalho é passar adiante um programa, incluindo essas novidades.
 Dedicação por si só, no entanto, não inclui outros aspectos dessa maratona da inteligência. É preciso antes de tudo que haja prazer no que se faz. Em qualquer área da atividade humana, a busca da perfeição envolve motivos como satisfação e bem-estar que justifiquem as horas de trabalho, muitas vezes bem mais extensas do que as que constam na CLT. 
 Pena que, no caso de nossos professores, não haja recompensa à altura. Parece até que há mais prejuízo do que recompensa. Não será essa uma das causas básicas de o ensino no Brasil estar tão desacreditado pelo mundo?

16 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Ah, sim, o prazer, a satisfação é fundamental. Base de tudo. Texto seu que reflete a mesma lucidez de tantos outros. E que nos põe a repensar vida e padrões.
Beijo grande,

AC disse...

O enquadramento é perfeito. Chegados à questão de fundo, a educação, parece haver a nível mundial uma corrente com muita influência (baseada na economia, claro!) a querer inverter a tendência duma educação para todos. Como as expectativas do futuro não são risonhas (não há lugar para todos à mesa) investe-se apenas numa minoria, os que podem pagar, e, como consequência, os futuros líderes.
Oxalá possamos inverter essa tendência.

Beijo :)

Nilson Barcelli disse...

O saber dá imenso trabalho.
Mas quem corre por gosto, não cansa...
O ensino é o melhor investimento no futuro. Quando a sua qualidade é inferior, ele fica caríssimo ao país e, principalmente, aos contribuintes.
Excelente post, querida amiga Dade.
Beijos.

Halem Souza disse...

Não acho que esta seja a principal causa, mas é uma das "básicas" como você diz.

Faço a pergunta: como é que um professor vai encantar alguém - e boa parte da tarefa de ensinar está no encantamento - se não há (ou há pouca) "satisfação e bem-estar que justifiquem as horas de trabalho, muitas vezes bem mais extensas do que as que constam na CLT.

Um abraço.

Nanda disse...

Dade, a educação tem sido sistematicamente abandonada - e o resultado é este que temos visto. Algumas ilhas de excelência, no meio de um mundo que mal sabe compreender, interpretar os fatos. É preciso mudar isso; começando pela educação de primeiro e segundo graus. Essa precisava de uma reformulação total. Beijos.

Jens disse...

Oi Adelaide.
Texto provocativo e brilhante. Nada tenho a acrescentar ao que disse o Halem. Ou melhor, tenho: independente do salário ou das normas da CLT sempre fiz questão de encontrar motivos que me encantassem, que me dessem satisfação (prazer, na verdade) de fazer o que faço.
Como cantou o vate cearense: "minha vida só é vida porque sei que ela vai ser sempre apaixonada".
Não conheço outro modo de viver. Não seria quem sou se não me guiasse assim pela existência. Beti e Preta Timm, Seu Antonio e Dona Arminda não admitiriam menos. Pago o preço; vale a pena.

Beijo pra você.

Tuca Zamagna disse...

Concordo plenamente com você em relação à desvalorização do professor, Dade. Só não acho que estela entre as causas principais da má qualidade da educação brasileira. É, antes, decorrência de uma política para o setor que sempre foi frágil, e que se deteriorou de vez a partir do regime militar. Sucateou-se toda a estrutura do ensino público, em favor de um ensino privado de qualidade inferior pelo cpmpromisso maior com o comércio do que com a educação, sobretudo nos níveis técnico e superior. E nisto é importante reconhecer a participação importante da classe média, que se preocupava mais com a obtenção de um diploma do que com uma formação adequada para seus filhos. Acompanhei de perto (boa parte do tempo, de dentro) a decadência da UFRJ. Que, apesar disso, ainda está entre as "melhores" universidades brasileiras. Trocamos um padrão humanista francês de terceiro mundo por um padrão utilitarista americano de quinto mundo - se é que isso existe...

Mas o legado de Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e outros pensadores sérios da educação no Brasil está aí. Utilizá-lo e desenvolvê-lo só depende de vontade política. Vontade de quem governa e, sobretudo, de quem é governado.

Beijos

dade amorim disse...

Tânia, obrigada pela generosidade de seus comentários.
Grande beijo pra você.

dade amorim disse...

Uma boa análise da situação. Que Deus te ouça, AC amigo.

Beijo.

dade amorim disse...

Nilson, agradeço de coração.
Beijo.

dade amorim disse...

Você tem razão, Halem, mas é aí que a coisa pega: por que salários tão baixos e tanta exigência?
Beijo.

dade amorim disse...

Certíssimo, Nanda. É assim mesmo. Que pena.

Beijão.

dade amorim disse...

Vale a pena, sim, amigo Jens.
Beijo.

dade amorim disse...

Tuca, nesses casos, quando um lado entorta, vai entortando tudo. Mas seu comentário é muito pertinente.
Beijo

Euza disse...

Ei Dade!
Qto tempo, qtas saudades!
Mas é ótimo voltar e ler seus textos. Vc tem uma excelente escolha de temas, uma forma bonita e clara de colocá-los e, pelo que andei lendo, um grupo de comentaristas à altura!
Estar aqui faz muito bem a quem esteve tanto tempo fora!
Beijo, querida.

dade amorim disse...

É verdade, Euza. Também sinto saudade de você. Venha sempre, você é muito querida.
Beijo.